sábado, 9 de abril de 2011

E às 3 da manhã...

Post escrito às 03h10min do dia 09/04/2011.

Acordei de um pesadelo terrível, mas ainda bem que foi um pesadelo. Pior que parecia ser tão real que eu não conseguia acordar.
Vou ao meu sonho:
Sonhei que eu estava saindo da faculdade e indo para a casa de meu pai, como se fosse uma noite qualquer. A caminho da parada de ônibus me deparei com um jovem esfaqueando o outro, em plena via pública. Entrei no primeiro ônibus que vi (eu e mais um monte) com medo e fui seguindo meu rumo.
No sonho eu parecia bem desnorteada, mas fui seguindo, notei que o ônibus iria perto para casa de minha mãe, então resolvi que só desceria em outra parada e pegaria outro ônibus. Quando desci me deparei com uma criança degolando um senhor, quis chorar, quis gritar, teve uma hora que ela olhou pra mim e aquele olhar diabólico está na minha mente neste momento.
Peguei o ônibus para a casa de minha mãe, mas ainda teria que andar (bastante) por um caminho que confesso ter muito medo, apesar de ser em uma principal. Ao descer do ônibus vi um homem perseguindo outro com uma faca, este conseguiu pegar e o matou, andei mais um pouco e vi outro homem furando o pescoço do outro com um espeto. Corri para casa de minha mãe e nem ela, nem meus irmãos estavam lá.
Voltei para a parada para ir para a casa de meu pai, o ônibus que eu estava foi assaltado e três passageiros mortos a tiros.
Eu e um grupo de pessoas conseguimos sair e fugir daquele caos, ficamos sentados numa praça iluminada que estaria localizada no centro da cidade. Conversávamos sobre o que tinha acabado de ocorrer. A praça ficava no início de cima de uma ladeira, quando olhamos para baixo, vimos um alvoroço, só que neste alvoroço estava tudo escuro, depois ouvimos vários tiros como se viessem em direção de lá. Ficamos apavorados, umas senhoras que estavam com a gente falavam que não iriam descer porque estavam com medo de morrer, mas eu e mais dois jovens (um homem e uma mulher) resolvemos ir, naquele momento eu queria muito ver alguém da minha família.
Descemos, ao descer vimos um cara matando um jovem dentro de uma loja de colchões, foi horroroso, depois vi que ao lado da loja muitas cruzes de madeira. Saímos correndo e fomos deparados por um grupo de jovens, que deixaram eu passar, mas os outros dois teriam que ficar, mandaram eu continuar descendo e não olhar para trás. Desci e só ouvi gritos.
Senti que minutos depois estava sendo perseguida por alguns dos caras que haviam nos abordado, mas estava no meio de um monte de pessoas que estavam correndo e eu conseguia me esconder entre elas, até que eu pegava um táxi e ia direto para casa de meu pai.
Chegando lá, estavam meu irmão e minha cunhada, fui conversar com meu irmão sobre o que tinha visto, ele me deu água e pediu pra eu me sentar. Sentei e esperei aquilo tudo terminar, fiquei no pátio. Depois ele e minha cunhada foram embora. Meu pai não estava em casa e eu fiquei sozinha. Minutos depois, os caras que estavam me perseguindo entraram na casa e GRAÇAS A DEUS eu acordei deste pesadelo.
  
Um detalhe que eu não contei acima foi que: em todas as horas que vi essas atrocidades pensei em ligar para a polícia, mas sempre me lembrava que não tinha número nenhum para que eu pudesse ligar, neste sonho não existia polícia.

Sinceramente, tive uma noite tão boa, fui para um bar, bebi, conversei um monte de coisas legais com meu amor. Chegamos e ainda continuamos conversando coisas legais.
O sonho é fruto do nosso subconsciente, sendo assim, que chatice de subconsciente que tenho. Pensei ter superado algumas coisas, não quero mais ter medo, quero ele longe, quero um sistema policial que preste em minha cidade, um em quem eu possa confiar. Não quero sair na rua achando isso e tendo que me conformar com este tipo de situação em minha vida.
Entretanto, com tantas notícias que lemos e vemos nos jornais, homicídios, chacinas e a violência em geral, não é de se estranhar que meu subconsciente tenha todas essas imagens desagradáveis a me oferecer.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Lendas de Segunda - As surdas ou Mal mandadas

Retirado do Livro: “Lendas em Nheengatu e Português”, Antonio Brandão Amorim. Adaptação em Português por Iran Nery.


Haviam, contam, na Cachoeira do Matapi, um homem casado que tinha três filhas moças. Todo dia, contam, ele as aconselhava para não fazerem coisas feias, elas não ouviam.
uma vez, contam, toda a gente ouviu um estrondo no rio, souberam imediatamente que era a Cobra Grande.
O pai das moças disse logo a elas:
- Não façam saruá, pode a Cobra Grande nos comer.
As moças não fizeram caso, de madrugada, contam, foram se banhar. Uma delas, contam, estava "enluada". Ali mesmo, contam, não sabem de onde veio, um moço bonito apareceu e começou a banha-se com elas.
Elas não perguntaram quem ele era, ficaram contentes. Dali um pouquinho, contam, essa moça
que estava "enluada" sentiu o moço fazer-lhe mal dentro do rio. Ela não disse coisa alguma.
Já alto o sol elas saíram da água, foram para casa, com elas foi tambem esse moço.
em casa, contam, o pai perguntou:
- Onde vocês estavam? Desde cedo procuro vocês para fazer manikuera!*
Elas responderam:
- Fomos tomar banho, encontramos lá este moço, estivemos brincando com ele dentro d'água.
Então já, contam, o pai delas olhou para esse moço, seu coração tremeu. Imediatamente ele soube que esse moço era Máaiua, ali mesmo perguntou:
- Moço, de onde vieste?
O moço respondeu:
- Eu vim da minha terra procurar mulher para me casar. Como já encontrei minha mulher, hoje mesmo voltarei.
O pai das moças perguntou:
- Onde está tua mulher?
- É mesmo esta moça - respondeu ele.
- De quem a pediste para casar?
- De ninguem. Como ela já está prenha de mim eu a levo.
No mesmo instante, contam, o pai das moças correu, pegou no curabi*, disse:
- Daqui não levas minha filha!
Por serem mal mandadas elas fizeram saruá!
Ali mesmo lançou o curabi no moço.
O moço disse:
- Então é assim que agimos com o genro?
As moças correram, agarraram-se no moço, disseram:
- Pai não mates o moço a tôa.
Elas imediatamente o esconderam com seu corpo. O moço tornou a dizer:
- Então é assim que agimos com o genro?
O pai das moças estava procurando outro curabi para jogar, quando o moço, contam, fez um "fi" comprido.
Imediatamente "guerê!...guerê!...guerê! estrondou dentro do rio.
No mesmo instante, contam, a água começou a subir.
O pai da moças disse:
- Vamos minhas filhas, olhem que Máaiua nos come!
No mesmo instante, contam, ele agarrou na mulher do moço e a arrastou.
Nesse momento, contam, diante dos olhos deles, começaram a sair da barriga dessa moça cobras pequenas que logo disseram:
- Mãe, queremos comer camarão!
Outras e mais outras saíram!
Aqui, contam, elas já eram muitas.
Só então a água lavou a terra.
O pai das moças corria, não via mais pra onde ir. Voltou para o quarto e disse:
- Vejam, suas Mal mandadas, o que vocês fizeram!
Ele corria, contam, para subir para cima da casa, as cobrinhas enrolaram na perna dele e disseram:
- Nosso avô, para onde queres ir?
- Para que não nos queres bem?
Ali as cobrinhas envolveram o corpo dele.
A água então os cobriu.

P.S[1] *Manikuera: bebida feita com o tucupi da mandiocaba (um tipo de mandioca).
*Curabi: flexa envenenada.
*Saruá: influência maléfica.

P.S[2] Os contos em Nheengatu darão um tempo, pois estaremos na Campus Party 2011 entre os dias 13 e 23 de Janeiro